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9.8.26

Schindler - A verdadeira história

A menina de vermelho, a lista real e o homem imperfeito que salvou mais de mil vidas

Schindler - A verdadeira história
Quando "A Lista de Schindler" começa, há algo que imediatamente chama a atenção: a história está em preto e branco.
Para quem assiste pela primeira vez, pode até parecer que existe algum problema na televisão. 
Mas não. 
Steven Spielberg fez uma escolha deliberada. 
Em meio àquela fotografia quase documental, uma pequena figura surge em uma única cor: uma menina usando um casaco vermelho.

Quem é aquela criança?

E por que Spielberg decidiu que justamente ela deveria aparecer colorida?

Essas perguntas fazem parte do mistério de um dos filmes mais marcantes sobre o Holocausto
Mas existe outra questão ainda mais interessante: quem foi, de fato, Oskar Schindler?

O homem que não parecia um herói

Oskar Schindler nasceu em 1908, na então Áustria-Hungria, e cresceu em uma família de origem alemã. Antes da Segunda Guerra Mundial, sua trajetória estava muito distante da imagem de um salvador.
Schindler era um homem ambicioso, gostava de dinheiro, bebidas e mulheres. 
Espiava para a inteligência militar alemã e, em 1939, após a invasão da Polônia, mudou-se para Cracóvia. Ali encontrou uma oportunidade de enriquecer.
Oskar Schindler mais novo
Assumiu uma fábrica de utensílios esmaltados, a futura "Emalia", e passou a utilizar trabalhadores judeus forçados porque eram mais baratos. Seu interesse inicial era, essencialmente, empresarial.
Mas alguma coisa começou a mudar.
Os relatos de sobreviventes mostram que Schindler tratava seus trabalhadores judeus de maneira muito melhor do que era comum naquele sistema brutal. 
Com o tempo, sua preocupação deixou de ser apenas o funcionamento da fábrica. 
Ele passou a utilizar sua influência, seus contatos e seu dinheiro para proteger aquelas pessoas.
A transformação não aconteceu de uma hora para outra. Foi gradual.
E talvez seja justamente isso que torne sua história tão fascinante.
A fábrica Emalia
Fábrica de esmaltados administrada por Schindler, um dos locais de filmagem do filme.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Oskar Schindler dirigiu uma fábrica de utensílios esmaltados e empregou judeus, alguns dos quais ele salvou de campos de concentração. O local serviu de cenário para diversas cenas do filme. Atualmente, o local abriga um museu.

O amigo de um dos homens mais cruéis

Entre as figuras mais assustadoras daquela história estava Amon Göth, comandante do campo de Plaszow.
Göth era conhecido pela violência arbitrária e pelos assassinatos de prisioneiros. Schindler, entretanto, aproximou-se dele. Os dois chegaram a frequentar festas juntos.
Pode parecer absurdo. Mas Schindler utilizou essa relação, além de subornos, para conseguir favores que ajudavam a proteger seus trabalhadores judeus.
Amon Göth, comandante do campo de Plaszow
Comandante do campo de Plaszow, Amon Göth(Foto)
O oficial nazista da SS Amon Göth, o infame comandante do campo de Plaszow na Polônia ocupada pelos alemães , na varanda de sua casa perto do campo. Cracóvia, Polônia, entre fevereiro de 1943 e setembro de 1944.
Créditos: USHMM, cortesia da Coleção Fotográfica Leopold Page
Museu Memorial do Holocausto dos EUA

Quando o gueto de Cracóvia foi liquidado, em março de 1943, Schindler conseguiu proteger parte de seus trabalhadores mantendo-os dentro da fábrica durante aquela noite. Mais tarde, conseguiu que muitos deles fossem alojados em condições muito melhores do que as existentes no campo principal de Plaszow.
Era um jogo extremamente perigoso. Schindler continuava sendo um homem ligado ao sistema nazista, mas agora estava usando esse mesmo sistema para salvar pessoas perseguidas por ele.
Campo de concentração em Plaszow

A famosa “Lista”

É aqui que o filme toma uma liberdade importante.
A imagem criada pelo cinema é a de Schindler elaborando sua famosa lista de nomes, decidindo quem seria salvo. A realidade foi mais complicada.
Não existiu simplesmente uma única lista escrita por Oskar Schindler.
Havia listas de transferência de prisioneiros de Plaszow para Brünnlitz, e elas foram preparadas dentro da estrutura do próprio campo. 
Primeira página da lista
Marcel Goldberg, um prisioneiro judeu que trabalhava como escriturário para a SS, teve participação na elaboração dessas listas.
Os nomes mudaram diversas vezes. 
Algumas pessoas foram incluídas por serem trabalhadores, outras por serem familiares de trabalhadores, e houve também casos de pessoas que conseguiram entrar mediante suborno ou simplesmente por circunstâncias favoráveis.

Schindler teve um papel importante no processo de transferência, mas "não foi o homem que simplesmente sentou e escreveu uma lista com todos os nomes que queria salvar".
A versão cinematográfica é muito mais dramática.
A história real é mais confusa — e talvez até mais interessante.

Brünnlitz: quando Schindler colocou tudo em risco

Em 1944, Schindler conseguiu transferir sua fábrica para Brünnlitz, nos Sudetos.
O local era um subcampo de Gross-Rosen.
Cerca de mil prisioneiros judeus foram transferidos para lá, e para muitos deles aquilo representava uma chance muito maior de sobrevivência.
Foi nessa fase que Schindler passou a gastar a fortuna que havia acumulado durante a guerra para conseguir alimentos, medicamentos e outras coisas necessárias aos prisioneiros.
A fábrica deveria produzir armamentos para a Alemanha.
Mas havia um problema. A produção real era muito pequena.
Fábrica em Brünnlitz, nos Sudetos
Schindler e alguns de seus colaboradores chegaram a falsificar números de produção para convencer as autoridades de que a fábrica era importante para o esforço de guerra alemão. 
A estratégia ajudava a impedir que o campo fosse fechado e seus prisioneiros enviados para outros lugares.
Em outras palavras, a fábrica que deveria ajudar a Alemanha a vencer a guerra tornou-se, na prática, uma forma de manter aquelas pessoas vivas.
Quando a guerra terminou, aproximadamente 1.100 prisioneiros estavam relacionados à lista de Brünnlitz.

E a menina de vermelho?

Voltamos agora àquela pequena figura que aparece no meio do filme.
A menina de vermelho não é apresentada como uma personagem histórica específica cuja existência tenha sido comprovada. Ela é uma criação cinematográfica.
É improvável que Schindler tenha presenciado um momento decisivo envolvendo uma menina de casaco vermelho que o teria levado a mudar de atitude. 
Ou seja, a menina não foi a causa histórica da transformação de Schindler.
Ela funciona como um poderoso recurso de linguagem cinematográfica.
Em meio ao preto e branco, aquela pequena mancha vermelha chama nossa atenção para uma criança indefesa no meio da violência. É como se Spielberg dissesse ao espectador: "olhe para ela".
A menina de vermelho
E existe uma consequência ainda mais forte.
Depois de vermos aquela menina caminhando sozinha entre a multidão, a violência deixa de parecer apenas uma sucessão de números e acontecimentos históricos. Passa a ter um rosto.
É uma das imagens mais lembradas do filme.

Schindler foi um herói?

Essa talvez seja a pergunta mais difícil.
Porque a resposta não é simplesmente “sim”.
Schindler não era santo. Seu passado incluía espionagem, oportunismo, relações extraconjugais e participação no Partido Nazista. 
Algumas de suas atividades anteriores e iniciais durante a guerra foram claramente ligadas ao sistema de ocupação alemão.
Ao mesmo tempo, é difícil ignorar o que aconteceu depois.
Oskar Schindler (no meio) com oficiais nazistas
Oskar Schindler (ao centro) se diverte em um jantar com oficiais nazistas em Cracóvia, em 28 de abril de 1942.

Ele utilizou dinheiro, influência e contatos pessoais para proteger judeus. 
Arriscou sua posição. Gastou sua fortuna. Enganou autoridades nazistas. E ajudou a manter  vivos mais de mil prisioneiros.
Sua condição de salvador chegou a ser controversa, inclusive quando seu nome foi considerado para a homenagem de "Justo entre as Nações".

Em 1993, porém, Oskar e Emilie Schindler receberam oficialmente essa distinção.
A história, portanto, não é a de um homem perfeito que descobriu subitamente o heroísmo.
É a história de um homem cheio de contradições que, em determinado momento, decidiu usar suas próprias características — dinheiro, influência, contatos e capacidade de negociação — para proteger pessoas que estavam sendo perseguidas e assassinadas.

A história que sobreviveu ao homem

Oskar Schindler morreu em 1974.
Mas sua história poderia facilmente ter desaparecido.
Não fosse a persistência de alguns dos judeus que ele ajudou.
Um deles foi Leopold Page, que durante décadas contou a história de seu antigo salvador. Em 1980, o escritor australiano Thomas Keneally entrou na loja de Page em Beverly Hills para comprar uma pasta.
Page contou-lhe a história. 
Keneally ouviu. E aquela conversa acabou levando à publicação, em 1982, do livro "A Arca de Schindler", que posteriormente inspiraria o filme de Spielberg.
Schindler plantando uma árvore
Homenagem a Oskar Schindler em Yad Vashem(Foto)
Na década de 1960, Schindler foi convidado por Yad Vashem para plantar uma árvore em sua homenagem. A cerimônia de plantio ocorreu em 8 de maio de 1962. Em 1993, Oskar e Emilie Schindler foram nomeados Justos entre as Nações, uma distinção concedida por Yad Vashem a pessoas não judias que arriscaram suas vidas para ajudar judeus durante o  Holocausto.
Créditos: Museu Memorial do Holocausto dos EUA, cortesia da Coleção Fotográfica Leopold Page

Em 1993, A Lista de Schindler levou essa história para o mundo inteiro.
O filme ganhou sete Oscars e transformou Oskar Schindler em um dos nomes mais conhecidos associados ao resgate de judeus durante o Holocausto.

Mas talvez a maior ironia esteja no fim.
Os homens e mulheres que Schindler ajudou a salvar também ajudaram a salvar Schindler.
Nos últimos dias da guerra, alguns dos chamados “Judeus de Schindler” ajudaram a protegê-lo quando ele precisava fugir.
Placa em homenagem a Oskar Schindler
Oskar Schindler
Placa em homenagem a Oskar Schindler, perto da Estação Ferroviária Central de Frankfurt, Alemanha.
Frank Behnsen Creative Commons Atribuição Compartilha Igual 3.0 (Genérico)

Talvez seja aí que a história real se torne ainda mais poderosa que o filme.
Porque, no cinema, temos um salvador.
Na realidade, encontramos algo muito mais humano:
Um homem contraditório, cheio de defeitos, que em uma das épocas mais sombrias da história decidiu salvar outras pessoas — e acabou sendo salvo por algumas delas.




8.8.26

Introdução

Camping Natural

Olá, pessoal, e todos os adeptos do campismo, sejam bem-vindos!

Você deve saber os benefícios da vida ao ar livre, e dados comprovados mostram as vantagens do sol e exercícios, os bens que faz ao organismo o contato com a natureza, uma estada na praia, um camping onde inspira alegria e bom humor, dá energia ao corpo " especialmente à pessoas que trabalham muito", conservam elegância da mocidade, ficam uns verdadeiros Apolos.

O sedentarismo faz engordar, torna os músculos flácidos e moles, a pele enrugada, o homem e a mulher envelhecem precocemente, um homem de trinta anos parece ter quarenta e cinco ou mais.
Neste espaço procuramos respostas convincentes a uma questão fundamental do camping em seu estado natural:

"Alguns veem e pensam com certa estranheza sobre o camping natural, como sendo coisa de gente rebelde, sem rumo e sem muito relacionamento humano".

Introdução ao camping natural
Em especial a usuários de campings organizados, que quando perguntados o que é um camping natural (selvagem) hesitam em responder, e muitos dizem que nunca pensaram no assunto.
Buscamos identificar o comportamento dos campistas, desde o momento em que entram em busca de lazer e entretenimento até quando saem dela.

Digo aqui do que se trata: viajei e pesquisei bastante para chegar a conclusão; alguns campings organizados ou não, passam por várias fases de transformações, se tratando de infraestrutura, principalmente nos moldes da modernização, sofisticação e ambientalismo.
Tornando alusivo o termo camping em toda a sua extensão e particularidade.
Camping Natural - Jovens na praia
Mas todos nós somos campistas, somos seres humanos, gostamos de aprender coisas novas, de aventuras.
Não precisa necessariamente ser; um camping organizado, natural, semisselvagem que vai distinguir um campista de outro, pois tudo é camping.

Mas afinal, o que é camping natural?  veja este post.. As regras do camping natural
Quer saber onde tudo começou? visite o blog neste link.. Camping Selvagem
"O melhor do passeio são justamente os "imprevistos", as peripécias e o prazer de improvisar soluções para os problemas que aparecem".

O camping natural não é apenas uma forma mais econômica de lazer; ele é um meio de fugir a rotina do convencional, de se entrar em contato com as coisas mais simples.
Construir sua própria casa, protegê-la da chuva e do vento com nossas próprias mãos, cozinhar nossa própria comida, cuidar, enfim dos elementos básicos de nossa sobrevivência; são prazeres estimulantes e incrivelmente novos para quem está habituado ao conforto sedentário de nossa civilização.
Camping Natural - Jovens alegres
Todos esses argumentos tem levado a acampar pessoas que jamais pensariam nisso antes.
Como a família de muitos amigos meus, que há anos trocaram os colchões macios dos hotéis e a sofisticada comida dos restaurantes pelos duros sacos e colchonetes de dormir, pelas frutas frescas e ovos cozidos, pelo nascer do sol numa linda praia e pelas noites geladas em uma montanha.

Eles, com mulheres e filhos conseguiram até uma coisa que jamais acontecia em suas casas - Divisão de trabalho; cada um tendo suas tarefas, cada um ajudando numa coisa determinada. 
No camping o trabalho conjunto aproxima pais e filhos, estimula as responsabilidades de cada um e o prazer de estarem todos juntos.
Camping Natural - Jovens unidos
Se você é daqueles que nunca acampou, pense que essa pode ser uma excelente experiência de lazer, vida comunitária, junto com seus amigos e sua família, volta com a natureza e outras coisas novas que você aos poucos irá descobrindo.
"Os campistas mais experientes dizem sempre que estão aprendendo coisas novas todas as vezes que fazem um novo camping".
Nesta aventura você vai ver que acampar não é um bicho de sete-cabeças, não é perigoso e desconfortável. 
É muito desagradável ter um acampamento estragado por uma noite mal dormida graças as intempéries: insetos, ao frio e buracos no chão da barraca, etc.

Aqui tudo foi elaborado cuidadosamente, com o intuito de atingir ao principiante, aos que acampam de vez em quando, e até os veteranos, englobando todos os aspectos de uma forma ou de outra em torno do campista.
Camping Natural - garotinha na barraca
Leia com bastante atenção, ele pode até salvar a sua vida! procure entender tudo o que achar importante e julgar necessário. A finalidade é ajudar você, a abrir novos horizontes, a cuidar de si, de sua família e amigos. 
Despertando assim o espírito de solidariedade e companheirismo que certamente todos acharão você notável e o acompanharão até aos lugares mais longínquos e difíceis.
Seja numa praia deserta, uma cachoeira de águas geladas, numa floresta de pinheiros ou num recanto perdido de uma mata, mas sempre com a forte presença da natureza.
Camping Natural - carro e barracas
Tendo esta agradável lembrança em mente de vários acampamentos e imaginando que alguns dos amigos ainda não praticaram esse tipo de lazer e desejariam fazê-lo, vou tentar, dentro do possível, passar muitas informações e técnicas básicas colhidas ao longo dessas deliciosas aventuras.
"Você estar preparado é tão importante quanto o desejo de sobreviver.
Não se esqueça que por pior que seja o panorama, se você permanecer focado e otimista, pode vencer qualquer obstáculo". 
E também desejo aprender muitas coisas; até com você amigo, que espero a ajuda bem acolhida de toda e qualquer informação, para facilitar a todos um bom lazer e entretenimento.
Bem, só resta agora dizer-lhe uma boa aventura, e um feliz acampamento.

Valter da Silva Luna
Camping Natural - quiosque da Dona Cristina
"O camping natural: Além de ser comprovadamente mais seguro, com certeza é mais cômodo, prazeroso e econômico. Muito saudável e viciante; ele é muito mais você, é muito mais família. Sendo uma forma inesquecível e gratificante de se encontrar diretamente com a natureza. Venha, faça turismo, conheça lugares e participe dessa viagem ecologicamente correta".

Este artigo também está disponível em inglês:  Introduction